Tennis Elbow – Dor no Cotovelo dos praticantes de Esportes de Raquete

Bom dia pessoal,

Tudo bem!

Hoje resolvi falar sobre um desconforto que ocorre com alguns praticantes de esportes de raquete, a famosa “dor de cotovelo”, muito conhecida entre os tenistas como tennis elbow.

A prática do Crossminton se tornou sistemática e os praticantes, principalmente de São Paulo, tem se dedicado aos jogos com certa regularidade e alguns deles já se confrontaram com esse desconforto muito bem conhecido pelos tenistas.

Para 2019 teremos um calendário de torneios e eventos bem constantes de competições, treinos e jogos e desta forma se faz necessário uma conscientização em relação a alguns cuidados na nossa preparação física, e precisamos ter uma atenção especial com os membros superiores: ombro, braço e em especial com o nosso cotovelo.

Apesar da minha vivência em esportes de raquete por muitos anos, eu nunca havia sentido tal desconforto praticando tênis, badminton e crossminton. Porém no início de 2016 quando comecei a ministrar aulas de Beach Tennis, infelizmente vivenciei o tennis elbow.

No meu caso, foram três fatores que causaram esse desconforto:

1° Fiz pouco fortalecimento dos membros superiores,

2º Mudança de Grip,

3º Peso da raquete.

A minha epicondilite lateral (tennis elbow) não foi tão grave e logo que identifiquei o problema já corri atrás das providências para que o quadro de inflamação não se agravasse. De qualquer forma me afastei das aulas de Beach Tennis e fiz diversos tratamentos para diminuir a inflamação, sem dizer que a melhora definitiva só veio quando fiz repouso por 20 dias (20 dias sem dar aula ou jogar qualquer esporte de raquete).

Sendo assim , acho de suma importância a leitura deste artigo que foi retirado na íntegra da Revista Tenis Brasil e foi escrito por um Professor de Tênis extremamente competente com Doutorado em Biomecâmica do Tênis, o Prof. Ms. Ludgero Braga Neto.

Segue abaixo um resumo dos principais indicadores das causas do Tennis Elbow:

  • A maior ocorrência é encontrada no grupo de praticantes na faixa etária de 35 a 50 anos,
  • Falhas na mecânica do movimento, realização do golpe de forma errônea (desacelerações rápidas),
  • Vibrações transmitidas para o cotovelo através do conjunto: raquete/corda/bola,
  • Frequência e intensidade do jogo,
  • Deficiência muscular nos membros superiores.

Indico a leitura do artigo na íntegra pois vamos entender que são várias as causas que podem levar a esse desconforto e é claro, temos que fazer as devidas correlações com a nossa modalidade crossminton.

Tennis Elbow: 10 dicas para escolher seu equipamento
Por Ludgero Braga Neto

O que é Tennis Elbow?

É uma inflamação dos tendões de alguns músculos responsáveis pela extensão do punho e dos dedos. Estes músculos se inserem em uma região do úmero (osso do braço) chamada Epicôndilo Lateral, por isso também é chamada de Epicondilite Lateral. Esta inflamação é muito  freqüente em tenistas, então foi chamada pelos médicos de Tennis Elbow (cotovelo de tenista). Os músculos envolvidos na maioria dos casos de Tennis Elbow são:

Músculo extensor radial curto do carpo (punho)
Músculo extensor dos dedos

Figura 1 – Músculos responsáveis pela extensão do punho e dos dedos.

Quais são os Sintomas?

Além de dores localizadas no cotovelo, o tenista sente dores quando ocorrem os seguintes movimentos:

  •  extensão do punho (Figura 2)
  • supinação do antebraço (Figura 3)
  • pronação do antebraço (Figura 3)

Figura 2

Figura 3

O início da dor pode ser repentina ou gradual, podendo também propagar-se para o antebraço. O golpe mais doloroso do Tênis para quem sofre de Tennis Elbow, normalmente é o Backhand (esquerda). Em certos casos, a dor é tão intensa que o braço não pode ser usado para tarefas cotidianas simples como dirigir, pegar objetos, escovar os dentes, etc..

Ocorrência
A maior ocorrência de Tennis Elbow é encontrada em grupos de tenistas da faixa etária entre 35 e 50 anos. Sabe-se que tenistas profissionais apresentam uma menor incidência de Tennis Elbow se comparado a tenistas amadores, porém sofrem mais de Epicondilite Medial. Um estudo feito com 2.633 tenistas, mostrou que 31 % destes já sofreram de Tennis Elbow.

Fatores que podem aumentar a probabilidade de Tennis Elbow:

  • Falhas na mecânica (movimento) dos golpes, principalmente executar movimentos com rápidas desacelerações;
  • Vibrações transmitidas para o cotovelo através do conjunto raquete/corda/bola;
    Idade;
  • Freqüência e intensidade de Jogo;
  • Deficiência de força e flexibilidade nos músculos extensores do punho e dos dedos.

Tratamento
Geralmente o tratamento do Tennis Elbow consiste em: repouso, calor, massagem, antiinflamatório, aplicação de gelo após o jogo e uso de uma faixa ao redor do cotovelo. Exercícios de reabilitação são iniciados assim que os sintomas começam a diminuir. O objetivo a partir de então é desenvolver a força, a resistência e a flexibilidade do grupo muscular extensor.

Equipamento
Quais as características de raquetes e cordas que podem ajudar a minimizar as vibrações e consequentemente a sobrecarga sobre o cotovelo de um tenista que sofre de Tennis Elbow?

1) Tamanho da Cabeça da Raquete: Mid-size ou Over-size?
De um modo geral, quanto maior a cabeça da raquete, maior o “Sweet Spot”, área onde as vibrações transmitidas para o cotovelo são mínimas e a bola é rebatida com maior potência.

Resposta: Prefira as raquetes Over-size, pois estas provavelmente terão um maior “Sweet Spot”, então a raquete lançará mais facilmente a bola, sobrecarregando menos o braço; além de transmitir menos vibrações para o cotovelo.

2) Flexibilidade da Raquete: Flexível ou Rígida?
As raquetes mais rígidas proporcionam maior potência ao golpe. Quando ocorre o contato raquete-bola, a cabeça da raquete deforma consideravelmente. O tempo que a raquete leva para deformar e voltar à posição inicial é de aproximadamente 15 ms (milisegundos). Este tempo é maior que o tempo de contato entre a bola e a raquete (entre 4 e 6 ms). Portanto, no caso de uma raquete flexível, antes que ela volte à posição inicial, a bola já não está mais em contato com as cordas, e então boa parte desta energia é perdida.

Resposta: As raquetes rígidas, normalmente de perfil largo (grossas), otimizam a transferência de energia da raquete para a bola, diminuindo a necessidade de grandes contrações musculares, principalmente dos músculos afetados pelo Tennis Elbow.

3) Comprimento da Raquete: “Normal” ou “Stretch”?
Nos últimos anos, foram lançadas no mercado raquetes até 2 polegadas mais compridas que as convencionais, as chamadas “Stretch” ou “Long-body”:

  • Convencional – 27 polegadas (68.6 cm)
  • “Stretch” – 28 polegadas (71,1 cm)
  • “Super Stretch” – 29 polegadas (73.7 cm)

Usando uma raquete mais longa, o tenista melhora ligeiramente o alcance em relação à bola, principalmente durante o saque; onde o tenista aumenta a altura de contato raquete-bola, diminuindo o risco da bola tocar na rede. Isto aumenta a potência do saque pois o tenista pode correr maiores riscos. Por outro lado, o aumento da potência também aumenta a sobrecarga sobre o cotovelo, o que não seria interessante para pessoas que sofrem de Tennis Elbow.
Além disso, raquetes mais longas diminuem um componente muito importante do Tênis: a maneabilidade da raquete (playability).

Resposta: Tenistas que sofrem de Tennis Elbow devem optar por raquetes de tamanho convencional (27 polegadas).

4) Peso da Raquete: Leve ou Pesada?
Atualmente, o peso de uma raquete varia entre 275 e 360 gramas. O peso da raquete e a velocidade da cabeça da raquete são os principais fatores que determinam a velocidade da bola.
Apesar de ser mais dispendioso para o braço gerar velocidade com uma raquete mais pesada, as vibrações transmitidas para o cotovelo são menores se comparadas a uma raquete mais leve. Quanto maior o peso da raquete, maior é sua capacidade de absorver as vibrações.
Uma raquete mais pesada também promove melhor controle, já que esta diminui os movimentos entre o cabo da raquete e a mão.

Resposta: Raquetes mais pesadas, até aproximadamente 360 gramas, poderão minimizar as vibrações geradas pelo sistema raquete/corda/bola, melhorando ou evitando o Tennis Elbow.

5) Balanço da Raquete: Peso no Cabo, Peso na Cabeça ou Peso Distribuído?
O balanço da raquete depende da distribuição de peso através da raquete. O “balance point” ou centro de gravidade é o ponto onde a raquete permanece em balanço quando colocada em apoio e existem 3 tipos de raquetes quanto à distribuição de peso:

  • Peso concentrado no cabo (comercialmente conhecida como “Pro-Staff”)
  • Peso concentrado na cabeça (comercialmente conhecida como “Hammer”)
  • Peso distribuído (comercialmente conhecida como “Even Balance”)

Com uma raquete “Pro-staff”, o tenista tem a sensação da raquete ser mais leve, se comparada a uma “Hammer”, mesmo que as duas tenham o mesmo peso total. Isto torna uma “Pro-staff” mais fácil de ser manuseada, pois o peso concentrado mais próximo ao cabo aumenta a sensação de controle da raquete.

Resposta: Com uma raquete do tipo “Pro-staff”, o tenista tem maior facilidade de manuseá-la, sobrecarregando menos o cotovelo.

6) Tamanho do Cabo: Fino ou Grosso?
Os cabos das raquetes utilizadas por adultos, normalmente variam entre o número 2 e o número 5. Este número indica a medida da
circunferência do cabo em polegadas:
N° 2 – 4 1/4 polegadas
N° 3 – 4 3/8 polegadas
N° 4 – 4 1/2 polegadas
N° 5 – 4 5/8 polegadas

Os cabos muito finos ou muito grossos podem causar problemas no cotovelo. Em ambos os casos, o tenista precisa apertar muito o cabo para evitar que este escorregue de sua mão no momento do contato raquete-bola. Quando a raquete é segurada fortemente no momento do impacto, porém não em excesso, a magnitude de vibração da raquete é diminuída, portanto transmite menor vibração ao braço.
Estudos através do potencial de ação muscular (Eletromiografia), mostraram que os músculos extensores do punho e dos dedos sofrem menos as vibrações quando o tenista utiliza um número de cabo o mais grosso possível, desde que seja confortável.

Resposta: Para reduzir as chances da raquete girar em sua mão e causar ou agravar o Tennis Elbow, além de utilizar um cabo o mais grosso possível, ainda é recomendado o uso de algum revestimento que aumente o atrito entre a mão e o cabo, um “Over-grip” , por exemplo, conhecido no mercado por “Tourna-grip”.

7) Material de Revestimento do Cabo: Couro ou Sintético?
Algumas raquetes ainda possuem o revestimento do cabo em couro. Atualmente a maioria dos materiais utilizados em revestimento de cabos são sintéticos, sendo a borracha o mais comum entre eles. Alguns desses materiais são bastante porosos e podem absorver bem a umidade originada pelo suor da mão. Existe um revestimento acolchoado, conhecido no mercado com o nome de “Cushion Grip”, que pode reduzir boa parte das vibrações da raquete.

Resposta: Prefira revestimentos de cabo acolchoados. Ainda assim é recomendado utilizar um “Over-grip”, em cima do “Cushion Grip”.

8) Material da Corda: Sintética ou Tripa Natural?
No passado, todas as raquetes eram encordoadas com cordas produzidas a partir do intestino de animais como carneiro e boi, as chamadas cordas de tripa, conhecidas atualmente no mercado como “Natural Gut”. São cordas de custo muito alto, devido ao seu complexo processo de fabricação e possuem pouca durabilidade, sendo muito sensíveis à umidade. Porém suas vantagens são enormes: maior controle da bola, maior sensibilidade do golpe e ligeiro aumento na potência imprimida na bola se comparada às cordas sintéticas. Além disso, possuem
boa elasticidade e absorvem melhor as vibrações geradas pelos golpes. Por esses motivos, a maioria dos profissionais de alto nível utilizam este tipo de corda.

Resposta: As cordas de tripa natural são recomendadas para tenistas que sofrem de Tennis Elbow, devido principalmente à sua característica de maior elasticidade.

9) Diâmetro das Cordas: Fina ou Grossa?
O diâmetro de uma corda, também conhecido como “Bitola”, é medido em “Gauges”. Quanto maior o número, mais fina é a corda. Estes números, normalmente variam entre 15 e 18.
A vantagem das cordas mais grossas é a durabilidade. Cordas mais finas, no entanto, são mais elásticas e portanto possuem uma maior capacidade de absorver as vibrações.

Resposta: Utilize cordas mais finas, que apesar da menor durabilidade, seu cotovelo sofrerá menos com as vibrações.

10) Tensão da Corda: Alta ou Baixa?
Altas tensões nas cordas fazem com que as cordas deformem menos se comparadas às cordas sob baixas tensões, e isso significa menor potência transferida para a bola. Reduzindo as tensões das cordas, a carga sobre o cotovelo também é reduzida, pois será necessário menos esforço para golpear a bola.
Cordas com baixas tensões, aumentam o tempo de contato raquete-bola, e assim as vibrações surgidas através do contato são distribuídas, também sobrecarregando menos o cotovelo.

Resposta: Portanto, pessoas que sofrem de Tennis Elbow devem optar por encordoar suas raquetes com a menor tensão possível, porém não menos que 40 libras, o que implicaria em perda de Energia devido ao excessivo movimento das cordas.

Observação Final
A questão do uso de anti-vibradores ainda é muito controversa. Poucos estudos foram realizados a fim de verificar os efeitos do anti-vibrador junto à diminuição das vibrações transmitidas ao cotovelo. Alguns estudos condenam sua eficiência a partir do fato de ser impossível um anti-vibrador que pesa entre 1 e 2 gramas influenciar significativamente nas vibrações de uma raquete que pesa entre 275 e 360 gramas. Por outro lado, é muito provável que o uso deste equipamento não seja prejudicial para tenistas que sofrem de Tennis Elbow, portanto seu uso é recomendado, podendo auxiliar em outros aspectos, como na diminuição do barulho produzido pelo contato
raquete-bola, por exemplo.

Bibliografia:

BRODY, H. Tennis science for tennis players. University of Pennsylvania Press, Philadelphia, 1.989.
GROPPEL, J.L.; SHIN I.; THOMAS J.A; WELK, G.J. The effects of string type and tension on impact in midsized and oversized tennis racquets. The international Journal of Sports Biomechanics, 3, 40-46, 1987.
HATZE H. Forces and duration of impact and grip tighness during the tennis stroke. Medicine and Science in Sports, 5, 88-95, 1976
PLUIM B.M. Rackets, strings and balls in relation to tennis elbow. In: HAAKE S.J., COE A. (eds.) Tennis Science & Technology. Oxford, London, Edinburgh, Malden, Victoria, Paris, Blackwell Science Ltd., pp. 389-393, 2.000.

Prof. Ms. LUDGERO BRAGA NETO é tenista de primeira classe pela Federação Paulista de Tênis, Mestre em Educação Física pela USP, onde atualmente faz Doutorado em Biomecânica do Tênis e é professor da disciplina Tênis. Atualmente é também coordenador técnico da Academia Slice Tennis, onde é o treinador da tenista Jenifer Widjaja.

Contatos pelo fone (11) 9281-2177
E-mail: ludgero@usp.br

FONTE: TENIS BRASIL

Espero tê-los ajudado a decifrar quais podem ser as causas da sua possível dor de cotovelo.

Fazendo uma transferência para a modalidade de raquete Crossminton eu daria uma super atenção para os seguintes indicativos:

  • Fortalecimento muscular,
  • Execução dos golpes,
  • Raquetes leves geram mais vibração, será que para o seu tipo de jogo uma raquete leve é a mais indicada?
  • Tensão das cordas e o seu calibre,
  • Grip.

Façam as suas avaliações e bons jogos.

Uma ótima semana a todos.

Profª Sandra Sorpreso

Club Racket

 

 

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